Por que o Estado deve assumir o risco tecnológico?

Diversos desafios socioeconômicos não encontram soluções disponíveis no mercado, mesmo que a demanda exista. A ETEC se insere nesse contexto, no qual existe uma demanda clara e socialmente relevante cuja solução não está disponível no mercado e, para disponibilizá-la, é preciso um processo de pesquisa, envolvendo o risco tecnológico.

A necessidade de o Estado moderno assumir o risco tecnológico, eminentemente privado, se justifica pela presença de uma falha de mercado. Dada a natureza incerta e os altos custos do processo inovativo, incluindo P&D, muitas vezes vinculados à solução de problemas passados e socialmente construídos, as firmas privadas tendem a investir menos do que o socialmente desejável nessas atividades.

Ou o Estado apoia, ou não existirá a solução.

Se os Estados modernos deixarem o mercado alocar livremente os recursos da sociedade é muito provável que inovações disruptivas, dependentes de P&D e com elevado grau de risco tecnológico, nunca venham a ocorrer. Isso porque uma empresa, maximizadora de lucro por excelência, tem baixa propensão a assumir riscos, mesmo que sua sobrevivência de longo prazo dependa disso.

Portanto, a ausência de estímulo governamental, por meio da assunção de risco pelo Estado em modelos como o das ETECs, pode implicar situações nas quais as demandas socioeconômicas, independentemente de sua legitimidade, não sejam atendidas.

É na teoria da falha de mercado que se encontra a mais eficiente justificativa da atuação do Estado numa ETEC, principalmente aos olhos dos órgãos de controle.